segunda-feira, 25 de julho de 2016

Biografias falsas

O meu interesse por Administração surgiu lendo biografias de grandes empreendedores e revistas Exame. Tudo parecia tão fácil, lógico e mágico, como se lidar com pessoas e convergir forças para uma direção comum fosse fácil. Mas eu gostava, era “literatura de saguão de aeroporto” pura, um mundo onde tudo caminha para o sucesso de forma linear.

Biografias de homens acima da média atraem, principalmente, quando envolvem dinheiro. Não conheço ninguém que leu sobre a vida do Einstein, aliás nem sei se existe alguma biografia do Einsten, mas nos anos 1980 e 1990 ficaram famosas as de personalidades como  Akio Morita e Lee Iacocca – esta obra em particular eu achei um porre -. Atraem porque levam a um mundo de fantasia, onde homens poderosos, constantemente bafejados pela sorte, com uma habilidade sem igual nos negócios e uma percepção aguda das oportunidades do futuro os levam inexoravelmente ao sucesso e à riqueza.

É tudo tão certinho, tão preciso, tão sequencial em direção ao podium que não pode ser real, não pode ser verídico. E não é: Tony Swartz, biógrafo de Donald Trump, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, disse que o livro que tornou o empresário famoso nos EUA como gênio nos negócios – A arte da negociação – é totalmente falso, um festival de adulterações de fatos sem precedentes. “Passei batom num porco”, cometou sutilmente à esquerdista The New Yoker.









http://www.newyorker.com/magazine/2016/07/25/donald-trumps-ghostwriter-tells-all

Pensando bem, talvez tenha precedentes. Talvez passar um batom bem vermelho no porco seja o habitual. Talvez quase todas as biografias sejam um festival de mentiras. Fico imaginando como idiotas devem se sentir aquelas pessoas que leem biografias de famosos na esperança de um dia ficarem famosos e ricos um dia. A moda agora é dizer que leem para “copiar o mindset”: acreditam que copiando um suposto jeito de pensar de um vencedor se tornarão vencedores. Neste jogo só quem vence são as editoras e o autores dos livros.

Uma vez uma brilhante professora de administração chamou a Exame de “a revista Contigo de empresários”. Hoje eu acredito que ela chamaria biografias de empreendedores de livros de Harry Potter.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sétimo livro

Este livro paradidático de aprendizagem de inglês estava disponível e serviu para eu criar coragem de ler um dos doze livros da meta deste ano em inglês. Depois do livro do professor Landes me concedi um refresco.

Ainda estou pesquisando qual livro em inglês eu conseguirei encarar até o final pois será uma experiência ótima:

- Aumentará a minha confiança na língua
- Aprenderei coisas novas
- Quebrará um tabu


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sexto livro

Acho que este foi o mais longo que já li: 600 páginas. Excelente, mas confesso que foi cansativo.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Mais 50 fatos desinteressantes

101) Tenho a pisada do tipo supinada. A sola dos meus calçados desgastam bem mais na parte lateral externa.



102) Nunca consegui terminar um cubo mágico. Andei aprendendo por tutoriais do YouTube, mas o meu cubo era tão vagabundo e duro que desmontou devido ao manuseio rápido e embrutecido.

103) Recebemos educação proletária: o básico do básico para termos um emprego relativamente bom e estável. Dito e feito: dos 6 irmãos, 6 são servidores públicos ou concursados de estatais. Nenhum empreendeu.

104) Ratificando o 103, Não pratiquei esportes nem aprendi a tocar um instrumento musical na infância e adolescência. Não tenho interesse atualmente em nenhum dos dois, mas na juventude desejei aprender a tocar violão principalmente porque existia à época uma lenda que atraía garotas.

105) Entre idas e vindas, fiz 10 anos de psicoterapia. Queria fazer um recall breve de um ano - se é que isto existe - mas perdi totalmente o contato com a psicoterapeuta.

106) Desfrutei de relativa sorte com pedagogas, inclusive casei com uma. Devo ter uma conversa interessante ou ser uma versão gorda do professor Paulo Freire.

107) Perdi a conta de quantas vezes levei choque elétrico de aparelhos energizados e queimaduras de ferros de soldar.

108) Descobri em 2005, na subestação de Ivaiporã, PR, que quanto tensão é muito alta (750 mil volts) se você andar muito rápido leva uma pequena descarga elétrica que parece uma picada de formigano calcanhar.

109) Quando eu estou falando no telefone com uma folha em branco, sempre desenho um rosto masculino bem primitivo. Sempre sorridente.

110) Nunca teria coragem de fazer uma tatuagem no meu corpo. Área é que não falta, mas quase todas as tatuagens que eu vejo são feias e de um mal gosto atroz.

111) Não gosto da comida que no Brasil chamam de "japonesa". Amo a comida que no Brasil chamam de "chinesa". Não sei comer com o hashi.

112) Tenho horror à arquitetura oriental tradicional. Amo, me emociono e fico intrigado com a obra de Gaudi.

113) A pintura que eu mais gosto é "As Meninas", de Velazquez. Tenho uma gravura no corredor do meu apartamento. No mesmo corredor há uma gravura da irmã do Salvador Dali de costas olhando pela janela. Apesar de espanhola, ela tinha um, digamos, "quadril à brasileira".



114) Já fui à Duas Barras, RJ, só para comer um bacalhau supostamente maravilhoso. Não valeu a viagem, no entanto pelo menos conheci o museu do Martinho da Vila.

115) A pior parte da cirurgia de redução de hipermetropia e astigmatismo foi quando senti um consistente cheiro de carne queimando e lembrei que era o meu olho.

116) Falo relativamente rápido e tenho um pouco de dificuldade de ensinar.

117) Conheci duas plataformas de petróleo, em 2006. A sensação de estar enclausurado foi bastante forte.

118) Ainda não tive a audácia de roubar um cartão de segurança que toda aeronave tem disponível para o passageiro consultar em caso de emergência.



119) Um dia depois do meu primeiro encontro com a minha esposa, em 25 de junho de 1999, eu peguei uma forte gripe.

120) Até hoje viro o rosto para não ver a agulha do exame ou da doação de sangue entrar no meu braço.

121) Fazer a coleta para um espermograma pode ser um pouco constrangedor.

122) Entre comprar uma gravura interessante e emoldurá-la o lapso de tempo pode ser tão grande quanto 10 anos.

123) Já fomos sorteados para uma feijoada na quadra da Beija Flor. Já comi melhores, mas a experiência foi divertida.

124) Som muito alto me irrita. Não precisa dizer que eu não gosto de boates e quadras de escolas de samba.

125) Mariah já possuiu quatro carrinhos. Três foram doados e um vendido pela Internet.

126) Passei a ter medo de avião somente após me tornar pai.

127) O único jogo on line que eu participei com relativa frequência foi sinuca virtual, no início dos anos 2000. Desenvolvi uma certa destreza, porém, como não era assinante do site, esperava horrores a minha vez de jogar, a menos que fosse desafiado por um assinante, algo que raramente acontecia. Por acaso observei que era desafiado muito mais rápido se usasse nomes femininos. O efeito inesperado foi a revelação que muitas lésbicas adoravam sinuca virtual. No final eu entrava no site mais interessado em conversar com as minhas colegas me passando por uma jovem quase se descobrindo lésbica, mas indecisa.

128) Só li um livro de Machado de Assis: "Dom Casmurro", e somente em 2015. Capitu nunca cometeu adultério, isto é coisa da cabeça do Bento. Quero ler "Memórias póstumas de Brás Cubas"

129) Sou canhoto, minha esposa é canhota e minha filha é destra.

130) O melhor hotel que eu me hospedei no Brasil foi o Meliá de Brasília. Nos corredores colocaram fotos das celebridades anteriormente hospedadas. Lembro somente da foto do Hugo Chávez. No exterior, o melhor e mais bonito hotel foi o Williamsburg Woodlands, na Virgínia.



131) Em meados dos anos 1990 eu voei num bimotor da Embraer pela primeira vez. O comandante, após contornar o morro do Pão de Açúcar, ligou o piloto automático e começou a ler o Jornal do Brasil sem a menor cerimônia. Todos os passageiros testemunharam porque ele deixou a porta da cabine escancarada.

132) Já ganhamos por sorteio ingressos para um espetáculo de dança da Deborah Colker. Num outro sorteio ganhamos um carrinho de bebê. E só. Em sorteios considero a minha família azarada.

133) O único momento que eu não gosto de chamegos da minha filha é quando eu estou fazendo uma refeição.

134) Nunca dei a menor importância à Espanha e sua cultura até conhecer a minha esposa. O meu caso de amor com o presunto jamón foi tardio.



135) Odeio falar ao telefone.

136) Uma única vez na vida eu tive o orgulho de ser o primeiro lugar em um concurso público nacional. Engenheiro eletrônico de Furnas, concurso de 2004.

137) Os dois livros que mais me impressionaram são "A ética protestante e o espírito do capitalismo" e "Sapiens: uma breve história da humanidade".

138) Tenho um pouco de nojo por chá preto. Não sei o motivo.

139) Uma das minhas fantasias é namorar uma ruiva legítima, com direito a sardas em todo o rosto e cabelos longos e um pouco ondulados.

140) Adoro visitar fábricas e linhas de produção. Já conheci desde pardieiros calorentos que enrolavam transformadores à mão a fábricas grandes, como a antiga unidade da Siemens na Lapa (São Paulo, SP), hoje desativada, se não me engano.

141) A vida eventualmente me reserva tarefas irritantes. Instalar ventiladores de teto e passar fios elétricos em conduítes, por exemplo.

142) Até pouco tempo eu pensava em ser dublador para complementar renda e – principalmente – vaidade, porém para exercer o ofício é necessário antes fazer curso de ator e ser registrado no sindicato correspondente, o que torna os meus fúteis desejos de ter a voz em milhares de lares muito caros e trabalhosos.

143) Detesto quando erram a escrita do meu nome.

144) Por influência da minha mãe, tenho um pouco de receio de comer comida pronta enlatada, mais este sentimento não me impediu de saborear uma feijoada e sopa de tomate Campbell's. A feijoada estava realmente horrível e a sopa de tomate me deu a sensação de eu ser um quadro de Andy Warhol.



145) Ainda fico ansioso ao receber cartas.

146) Já dividi a mesa com um anão num restaurante de beira de estrada no interior do Paraná em 2005. Foi a única vez na vida que eu tive a oportunidade de fazer uma refeição ao lado de um anão.

147) Residências sem muitos livros me incomodam.

148) Quando criança, roubei balas nas Lojas Americanas de Madureira. Não virei bandido, mas só confessei agora porque o crime prescreveu.

149) Planejo quebrar um tabu pessoal e ler um livro que não seja da minha área de trabalho escrito em inglês este ano. Mesmo após dois cursos ainda acho o meu inglês muito ruim.

150) Escrever estes fatos foi mais difícil que eu imaginava. Mais difícil até que encontrar coragem para publicá-los.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Concentre

O que uma aposta na loteria, um trabalho voluntário para um grande evento esportivo e ser sócio torcedor de um clube de futebol tem em comum?

Uma aposta de loteria tem um custo baixo, uma aposta típica no Brasil custa em torno de um dólar somente. Não pesa no bolso nem fará ninguém mais pobre ou menos classe média. Talvez seja apenas um refrigerante em lata que deixou de ser bebido para virar um papel carregado de esperança. Se ganhar, o dono deste papel ficará imediatamente milionário. Sim, prêmios das loterias da Caixa Econômica Federal podem ultrapassar os 20 milhões de dólares, quando acumulados. A probabilidade, a chance do sonho se realizar é bem baixa e chega a uma em 50 milhões. Compare com a chance média de uma pessoa qualquer morrer num acidente aéreo, algo em torno de uma chance em 10 milhões. É cinco vezes mais fácil morrer viajando de avião comercial que acertar as seis dezenas.

Do outro lado da cidade, uma pessoa se candidata a ser voluntário em algum evento esportivo. Os motivos que levam uma pessoa a gastar o seu bem mais precioso – o tempo – em ensaios e na atividade voluntária para mim são nebulosos. Os argumentos são sempre emotivos, como era de se esperar: “participar”, “fazer história” ou mesmo “chegar bem perto do meu herói”. Por “herói”, considere normalmente uma pessoa famosa por seu desempenho esportivo fenomenal e por isso recebe uma remuneração vultosa amealhada por patrocínios e publicidade.

Por fim, um amigo meu disse todo orgulhoso que era sócio torcedor de um clube carioca. “Qual é a vantagem? ”, perguntei. Ele respondeu de pronto “Nenhuma. Não ganho ingresso grátis para jogos, não ganho acesso às dependências do clube, nada. É só para ajudar o time de futebol”. Ele contribui com 20 reais todo o mês para ajudar o clube a pagar um salário de 6 dígitos ao atacante.

O nome disso tudo é concentração de renda. Sim, nós estamos acostumados a criticar a concentração de renda, de ver nos jornais que o país é supostamente injusto por concentrar renda ou ouvir economistas falando que inflação concentra renda.

A sociedade adora concentrar renda. Você comprando um bilhete de loteria transfere renda do seu bolso e dos demais jogadores para o ganhador do prêmio. Bom, pelo menos neste caso você pode ser o ganhador e neste caso remoto, o beneficiado por der você, mas trabalhar de voluntário num grande evento esportivo ou ser sócio torcedor de um grande clube é, sem dúvida alguma, concentrar propositalmente renda sem nada objetivo em troca.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Uma noite com os pobres

Certas lições necessitam ser revistas periodicamente pois nos acostumamos fácil com o ambiente quando melhoramos de vida.

Esta semana eu prometi à Mariah que iria comprar o Disney Gogo's do Mickey e Minie dourados e que foram uma febre no ano passado. Encontrei por 18 reais o par e, para economizar nas despesas postais, decidi buscar pessoalmente num bairro próximo ao meu trabalho e a minha casa, porém um tanto contra-mão, como chamam popularmente aqueles locais de difícil acesso a despeito de perto.

Procurei na internet, mas as linhas de ônibus, o trânsito e o sentido das ruas mudaram tanto na cidade nos últimos meses que eu me senti inseguro. Algumas informações claramente estavam desatualizadas. Felizmente eu tenho a amizade do Farinha, a maior autoridade viva quando o assunto é deslocamento pelo subúrbio carioca.

- Pega o 313 que não tem erro!

Eu, acostumado com o relativo conforto dos ônibus que eu pego diariamente, embora imundos, pichados com textos pornográficos e velhos, não são superlotados e estressantes. Esqueci completamente como as condições de vida de quem mora no subúrbio profundo são ruins. Entrei uns 2 ou 3 pontos do início da viagem e isto me gerou a doce ilusão que não iria lotar apesar do relógio marcar umas 18h. Acreditei que não seria necessário sentar próximo à porta de saída. Ao chegar na Central o desengano desapareceu. Alguns metros depois nova parada num ponto próximo a uma universidade privada e mais passageiros. "Não, não deve entrar mais ninguém na Leopoldina", pensei, já preocupado e montando um mentalmente um sofisticado procedimento para saltar logo depois.

O ônibus estava tão cheio que o deslocamento foi quase impossível e eu considerava a possibilidade de saltar depois do local desejado. A educação fica em segundo plano e o empurrão forçando a passagem entre pessoas sofridas e exaustas que estão em pé no corredor vem logo em seguida do pedido de licença. Vamos em frente até a proximidade da escada. Parando o ônibus tenho que aguardar as pessoas levantarem da escada de descida e saírem do ônibus temporariamente para me deixar passar. No solo, mas não mais seguro. As lojas já estavam fechadas e o ambiente me lembrava cenário de filmes do submundo de Nova Iorque dos anos 1980. Embaixo da Linha Vermelha, o que eu via eram sucateiros, lixo, população de rua e iluminação deficiente.

De fato, a dica do Farinha foi providencial e certeira, estava a apenas cem metros do endereço de destino. Comprei os Gogo's e saí. Com um pouco de medo e cheguei a considerar a possibilidade de pegar um táxi, porém a economia por ir buscar pessoalmente se perderia e segui em frente, rumo ao ponto do 665. Prostitutas já estavam nos seus postes e árvores de costume e o meu destino era longe, em frente ao hospital Quinta D'Or. No meio da caminhada um taxista parou logo na minha frente e rapidamente fechou negócio com uma garota de programa morena, que com eficiência entra no carro e partem.

No ponto, um trecho mal iluminado da margem da Quinta da Boa Vista, um casal com roupa de escola do municipal namora encostados nas grades. Mais dois colegas de sofrimento aguardam o ônibus com paciência e este milagrosamente chega rápido. Estava com o interior tão escuro que eu cheguei a pensar que estava indo para a garagem. Fiz sinal, parou, embarquei e além do motorista mais dois passageiros seriam os meus colegas de viagem nos próximos minutos. O veículo, com defeito no câmbio, irritava o motorista por não aceitar a terceira marcha e eu, reflexivo, relembrei como a vida dos pobres é difícil e como a ascensão social é quase uma lenda no Brasil.

As pessoas que pegam o 313 e o 665 são pobres, moram em lugares longínquos como Complexo do Alemão ou Pavuna, seus trabalhos são basicamente braçais, não intelectuais. É tudo contra: durante a jornada de trabalho ele não tem como dar uma escapadinha e estudar, o ônibus, lotado, trafega um vias congestionadas o que faz a viagem se tornar uma longa tortura. Não dá para ler pois a maioria viaja em pé e, mesmo que estivesse sentado, a iluminação interna do ônibus é péssima. Ao chegar em casa será quase um morto vivo com uma série de tarefas domésticas pendentes. Seus vizinhos e amigos de bairro são tão pobres e carentes quanto ele. O circulo se fecha ao não conseguir estimular o filho a ler. Talvez não tenha a mínima noção que a única saída deste inferno é investindo em conhecimento. Dele e dos filhos.

Jesus disse aos apóstolos, respondendo a um questionamento de Judas que "pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão" (Mt 26:11). A passagem de Jesus pela Terra foi curta, menos de 40 anos e os pobres são eternos. É paradoxal e surpreendente que Jesus diga categoricamente que Ele, Deus em carne, não esteja para sempre presente, convivendo com eles, mas o pobre, sim. Não vejo aqui uma crítica ao capitalismo, até porque a qualidade de vida dos pobres do tempo de Jesus são infinitamente melhores hoje. Isto é mérito principalmente da ciência, do aumento da produtividade e da economia de mercado. Uma vacina é um exemplo clássico de melhor ciência, que leva ao descobrimento da prevenção de doenças, com o capitalismo, que a permite chegar à população. Os pobres são vítimas eternas de um sistema cruel que os próprios pobres de certa forma participam. E participam por ignorância, conformismo e perpetuação reprodutiva. Vejamos cada uma.

A ignorância faz com que o pobre cometa pequenos delitos crendo que está a vingar-se ou que é inofensivo. O caso mais clássico é o roubo de sinal de TV por assinatura. Neste caso ele acredita que é indolor para a operadora porque o sinal já está lá e o seu consumo não afeta em nada o serviço prestado aos outros, além do fato dele deixar de pagar ser uma queda de receita ínfima. A sensação de vingança ocorre quando ele testemunha notícias de corrupção e se julga mais esperto que os políticos e empresários pirateando o serviço. O mesmo ocorre com outros serviços como eletricidade e água ou o jogo de videogame pirata. O ponto é que, se ele não tivesse acesso ao serviço de TV por assinatura nem ao videogame ele poderia estar usando este tempo para ler, estudar e aprender coisas novas. No lugar de melhorar como pessoa e tornar a sua mão de obra mais qualificada e produtiva e, como tal, mais valiosa e desejada pelas empresas, ele se emburrece cada vez mais, tornado-se mais vulnerável ao desemprego e aos salários mais baixos. A suposta economia com a TV a cabo e o jogo de videogame na verdade tem um curso altíssimo a longo prazo.

O conformismo faz o pobre aceitar a sua condição baseado no medo e em pessoas próximas. Isto não isto não é exclusivo de alguma classe social; a classe média é medrosa de doer, mas é no pobre que o conformismo tem os seus efeitos mais nefastos porque a classe média, por definição, tem uma vida melhor e mais confortável que o pobre e permanecer na mesma situação ad infinitum não é de todo mal. O pobre típico tem a autoestima baixa, ele não acredita que pode porque ele olha os seus amigos e generaliza. Se estamos todos no mesmo barco, o que eu tenho de especial para me destacar dos meus vizinhos? Absolutamente nada! O nosso cérebro é craque em generalizações.

O terceiro problema é o mais cruel, a perpetuação reprodutiva. Normalmente os pobres geram filhos mais cedo, quando a estabilidade econômica é um sonho remoto e a maturidade plena ainda não chegou. Boa parte destes filhos são indesejados, mas mesmo os desejados estão em condição de desvantagem antes de nascer. A quantidade de filhos por família também é maior entre os mais pobres, o que diminui a atenção individual que os pais podem dar. Os pais pobres conversam menos com os filhos e passam pouco tempo com eles, o que não os estimulam.

Não quero dar uma visão pessimista ou justificar a pobreza. Pelo contrário, eu modestamente sou um exemplo de como sair da maldição de Mateus 26:11. Meus pais  tinham pouca educação formal e papai morreu quando eu tinha seis anos (ignorância), morando num bairro muito pobre (conformismo) e geraram seis filhos (perpetuação reprodutiva). Qual o meu segredo? Qual o caminho de saída deste Labirinto de Creta?

Meu pai era filho de professor e valorizava a educação. Quando ele morreu o meu irmão número 1 tinha 26 anos e o número 2, 24. Ambos solteiros, fui tutorado e estimulado intelectualmente. Aos 14, o número 2 pagou um curso preparatório e me incentivou fortemente a tentar estudar numa escola melhor. O salto começou naquele distante março de 1986. Ao estudar numa escola de classe média em um bairro de classe média rompi definitivamente com a ignorância e o conformismo. Lembro de uma vez, por estímulo de um amigo, fazer a prova para sargentos do Exército. O irmão número 1 me deu uma bronca inesquecível: se quiser ser militar, que seja oficial e dispute uma vaga para a Academia Militar das Agulhas Negras.

Pense grande, pois você pode estando preparado estudando muito. Descobri, prematuramente no segundo grau, que a classe média não tem nada de diferente de mim na essência. A maioria dos meus colegas de bairro só descobriram a classe média ao entrar no mercado de trabalho, adultos, onde a soberba e humilhações são bem maiores. Não viram a semelhança.

Outros fatores, importantes, mas que eu considero menores: fui pai tardio, tenho apenas uma única filha e consegui um bom emprego que me permitiu fazer um curso superior numa escola federal.

Mas eu continuo conformista. Tenho a certeza que atingi o meu limite. Está bom. O próximo degrau quem pode subir é a Mariah. Ela esta sendo preparada desde antes do nascimento para este salto. Procuro ser o melhor e mais estimulante pai do mundo. Espero que não dê tudo errado e ela não vire uma adulta chata e mimada.




sábado, 11 de junho de 2016

Cem fatos (des)interessantes sobre mim

Ninguém me desafiou, porém eu achei tão legal que eu resolvi participar de uma brincadeira que está acontecendo no Facebook. De 26 inflacionei para 100 fatos. Espero que gostem.

100 fatos (des)interessantes ao meu respeito:

1) Não sou carioca. Minha mãe cruzou o limite do município, me pariu em São João de Meriti e voltou ao Rio de Janeiro.

2) Minha mãe me amamentou até os seis anos.

3) Tenho uma cicatriz no braço direito devido a uma mordida de cachorro. O meu cachorro.

4) Já fiz três cirurgias: ginecomastia, redução de hipermetropia e astigmatismo e extração de siso.

5) Conheci a minha esposa por meio de um grande amigo que à época namorava uma grande amiga dela.

6) Já fiz duas viagens internacionais sem cartão de crédito. Sinceramente não recomendo a experiência.

7) Tenho o nariz aberto. Minha filha tem o nariz do pai.

8) Morro de medo de altura, barata e não sei nadar.

9) Minha lua de mel ocorreu um ano depois de casado por absoluta falta de dinheiro.

10) Na lua de mel fomos à Serra Gaúcha com uma Fiat Uno sem ar refrigerado, com oito anos de uso, evaporando água do radiator e totalmente desalinhada. Isto me custou dois pneus na volta.

11) Fui reprovado na sétima série (atual oitavo ano). Na engenharia fui reprovado duas vezes em Eletromagnetismo II e uma vez em Controles I.

12) Meu prato predileto é feijoada.

13) Tenho um irmão 20 anos mais velho. Tenho 3 irmãos aposentados.

14) Meu pai transportava os rolos de filmes da MGM e entregava às salas de cinema. Até hoje não sei o nome desta profissão extinta. Depois, mais próximo da aposentadoria, continuou na MGM, mas trabalhava como fiscal contando manualmente o público que pagava ingresso no cinema. Provavelmente a MGM ganhava um percentual da bilheteria.

15) Apesar de engenheiro, não sou bom em matemática. Quando eu me deparo com uma fórmula com o símbolo do somatório ou da integral fico estático e perplexo por não menos que 30 segundos. Aliás a minha reprovação na sétima série foi em matemática.

16) Tenho uma máquina de pinball COSMIC, dos anos 1980, que está há anos desmontada no meu lar. Esta máquina já foi usada na gravação de um videoclipe dirigido por um parente do saudoso Antonio Abujamra.





17) Tenho cinco irmãos. Todos homens. O mais bonito sou eu.

18) Em 02/12/2000 casei em Nova Friburgo e uma orquestra de cavaquinhos tocou “Carinhoso” ao final da cerimônia. Até hoje lembram mais do meu irmão Dalton Pinheiro de Almeida e do tio Arthur cantando que do noivo.

19) Minhas daminhas de casamento já estão na faculdade.

20) Na minha lua de mel chupei gelo do frigobar hotel para economizar o dinheiro da água mineral. Delícia.

21) Em 2005 eu e a minha esposa fomos à Espanha conhecer a família dela. É muito engraçado e até um pouco angustiante ver duas senhoras de idade que você nunca viu, mas que são a cara da sua esposa.

22) O doce que mais me emociona é o chuvisco cristalizado. Meu pai sempre trazia para eu e os meus irmãos quando voltava de Campos, a trabalho.

23) Choro ouvindo a Laura Pausini

24) Ensinei a minha filha a jogar Banco Imobiliário. Se viciou. Uma partida pode demorar semanas.

25) Nunca fui magro.

26) Confundo Branca de Neve com a Cinderela. Confundo direita com esquerda e "levar" com "trazer".

 27) Não consigo aceitar certas coisas da engenharia. Não entra na minha cabeça que um gerador superexcitado possa comportar-se como um capacitor.

28) Meu primeiro trabalho com carteira assinada era remunerado com um salário mínimo.

29) Quando eu fui aprovado no concurso de Furnas, em 1994, eu disse para mim mesmo que juntaria dinheiro por 10 anos, abriria um serviço autorizado da CCE e nunca mais teria patrão. Como Deus é bom, descartei a ideia quatro anos depois. Parte do meu apartamento foi fruto deste dinheiro acumulado freneticamente.

30) Juntar dinheiro freneticamente me deixa estressado e atordoado.

31) Só passei para a faculdade na primeira reclassificação.

32) Por causa da minha paixão por pinball, já visitei comunidades escondidas em Nova Friburgo, galpões em Poços de Caldas e garagens empoeiradas em São Paulo.

33) O pinball me deu vários amigos que eu tenho até hoje. Destes, um morreu de infarto fulminante, outro eu até hoje só conheço virtualmente ou por telefone e outro é um escritor famoso de informática e tecnologia.

34) Minha primeira ferramenta de qualidade foi uma chave tipo Philips da Belzer.

35) Faço uso de remédios para hipertensão desde a adolescência.


36) Me orgulho de eu e a minha esposa termos comprado um apartamento a vista quando eu tinha somente 32 anos.

37) Detesto dívidas e detesto pagar prestações. Quando não oferecem desconto pelo pagamento à vista e o preço é o mesmo que a prazo, normalmente opto por pagar a prazo, mas a contragosto.

38) Meu primeiro curso de eletrônica foi pago pelo meu irmão quando eu tinha 12 anos. O outro irmão me deu o conjunto básico de ferramentas. Me sustento com eletrônica e elétrica até hoje. Obrigado, irmãos!

39) Regra de três: mulheres estão para bolsas e sapatos assim como eu estou para ferramentas.

40) A primeira coisa que eu falei para a minha filha na maternidade: “É o papai, está tudo bem, papai está aqui e mamãe está aqui”. Até hoje eu repito exatamente esta frase quando eu preciso acalmá-la de um pesadelo, por exemplo.

41) Quando um aparelho dá defeito sem possibilidade de conserto, desmonto e retiro o que dá para aproveitar. Cabos de eletricidade com a tomada padrão brasileiro são os meus preferidos atualmente e uso para substituir os cabos e tomadas originais dos Estados Unidos.

42) Aprendi a cozinhar e os hábitos de cozinha com a minha mãe. Temos diversos livros de receitas, mas consultamos pouco.

43) Não gosto de passar roupa nem de lavar banheiro. Adoro lavar louça e colocar roupa suja na máquina de lavar roupas.

44) Gosto de andar a pé e de ônibus urbano. Há anos não uso uma linha de ônibus interestadual.

45) Casei usando uma gravata da C&A e o terno Borelli mais barato da loja. Tenho os dois até hoje, mas não costumo usar terno e gravata.

46) Comprei a câmera que filmou o meu casamento para guardar como relíquia. É uma Panasonic que grava diretamente em fita VHS.

47) Coleciono objetos dos anos 1980.



48) Amo frases de duplo sentido. Você gosta de CD?

49) Vivo esquecendo guarda-chuvas.

50) Quando eu conheci a minha esposa só possuía meias brancas de algodão. Ela pensou que fosse algum distúrbio psicológico, mas o motivo era uma promoção da C&A.

51) Devido às minhas modestas dimensões, a única peça do meu vestuário que eu acho fácil são calçados. Calço 43.

52) Oito anos da minha vida foram de labor em regime de turno de revezamento. Turno envelhece, mas permitiu que eu trabalhasse enquanto fazia faculdade federal. O horário que eu mais gostava era das 14:30h às 22:30h. O problema é que eu perdia as aulas.

53) Aprendi com a minha esposa a gostar de abobrinha e berinjela.

54) Se o preço unitário for baixo, sempre compro peças a mais (“para fazer estoque”). Depois fico com pena de usar este estoque.

55) Consertei um amplificador ao lado de uma batedeira em funcionamento na Pizza Hut do BarraShopping em 1993.

56) Tenho uma ferramenta para furar couros que só usei uma vez para fazer mais um furo no meu cinto.

57) Vivi quase dois anos com somente um cinto.

58) Durante o curso técnico estagiei numa oficina que, entre outras coisas, consertava guindastes. Trocar uma cuíca de freio embaixo de um guindaste em uma superfície enlameada não é uma atividade muito agradável.

59) Adoro levar a minha filha à escola. Ela não para de falar coisas divertidas.

60) A primeira refeição da minha esposa na minha frente foi um quibe no Norte Shopping.

61) Estagiei numa empresa que fazia ensaios em solda usando o material radioativo cobalto 60
.
62) Não gosto de livros de romances e literatura. Sou apaixonado por livros de história e sociologia.

63) Sou bagunçado e ultimamente estou com dificuldade de concentração.

64) Até hoje me arrependo de não ter comprado um relógio Tag Heuer azul, lindo, em 2005.

66) Nunca me importei com café da manhã.

67) A minha mãe conheceu o meu pai na barca a caminho de Paquetá.

68) Ainda está em uso a calça que casei no Registro Civil, em 30/11/2000.

69) Nunca comi fruta de conde, jaca e caqui, não gosto de açaí e sou louco por pera.

70) A minha primeira máquina fotográfica foi uma Zenit 122K fabricada na Rússia.



71) Até hoje guardo a frustração de nunca ter conseguido fazer um tomate seco decente.

72) Minha filha foi "encomendada" no hotel Formule1 Consolação, em São Paulo, no dia 12 de Maio de 2007.

73) Uso o mesmo e-mail do Hotmail há 19 anos.

74) Nos primeiros concursos que eu fazia a resposta era preenchida em cartão perfurado.

75) No exterior, sempre visitamos lojas de ferragens ou ferramentas e grandes supermercados. Assim que chegamos sempre entramos nas lojinhas de quinquilharias do aeroporto para comprar lembranças com a desculpa de "fazer troco".

76) Quando criança dizia que estava com piolhos só para ganhar algo bem próximo a um cafuné da minha mãe. Mariah faz a mesma coisa comigo.

77) Tenho uma hérnia de disco entre a sacral 1 e a lombar 5.



78) Entre o irmão número 3 e o irmão número 4 há uma diferença de 11 anos.

79) Sempre tive uma dificuldade enorme de perceber sutilezas, inclusive o interesse feminino, se é que alguém além da minha esposa já teve interesse em mim...

80) Tenho ciúmes das minhas ferramentas, entretanto não tenho ciúmes da maioria dos meus livros, o que me fez perder alguns ao emprestar a amigos.

81) O local mais diferente que já fizemos amor foi no trem noturno de Madri para Paris. Bem, no começo a Luiza estava mais interessada em ver pela janela a neve caindo.

82) A primeira coisa que eu fiz ao entrar em contato com a neve foi comê-la. Tem gosto de gelo que se acumula naturalmente nas placas frias de geladeira velha.



83) Sou um péssimo jogador de videogame e fliperama. Perco logo na primeira fase.

84) O maior calor que eu passei na vida foi no verão do bairro que eu morava na minha infância, em Coelho Neto. O maior frio foi em Ávila, Espanha.



85) Há alguns anos comprei para uma querida amiga uma lingerie temática de enfermeira. Infelizmente ela nunca me mandou sequer uma foto usando esta importante indumentária.



86) Eu escrevia muito mal até começar este blog. Acreditem, já foi pior. Não sei se fico orgulhoso ou colérico quando alguém diz que "nem parece um engenheiro escrevendo".

87) Sou padrinho de um sobrinho e eu e Luiza somos padrinhos de três casais. Sou frustrado por Mariah nunca ter sido daminha de casamento.

88) Não nos importamos com roupas nem automóveis. Canalizamos as minhas energias financeiras para viajar. Amamos viajar.

89) Não gostamos de praia. Mariah ama praia.



90) Procuro um multímetro Hioki modelo 3007 em bom estado por um bom preço para comprar desde 1984.




91) Detesto quando não agradecem depois de uma ajuda por e-mail. Brasileiro é mal educado e não valoriza o capital intelectual.

92) Durmo sempre de costas para a Luiza, normalmente pelado.

93) Quase toda madrugada levanto para urinar.

94) A mais dolorosa aventura da minha vida foi descer e subir os 730 degraus permitem o acesso à base da cascata do Caracol, em Canela, RS. Sofremos dores insuportáveis na musculatura das coxas por dias.


95) A cidade mais ao sul do hemisfério que visitamos foi Buenos Aires. A mais ao norte foi Paris.

96) Entre conhecer pessoalmente a Luiza e nos casarmos consumimos apenas um ano e meio.

97) Mariah foi fruto de uma inseminação artificial mal sucedida. Os remédios da inseminação permitiram que a Luiza ovulasse no mês seguinte e naturalmente engravidasse.

98) Já morei num prédio cujo os fundos era a Floresta da Tijuca.

99) Nunca fui assaltado, mas já fui obrigado a sair de túnel na contramão.

100) Mesmo com mais de 15 anos de casado, acho que boa parte do que está escrito aqui não é do conhecimento da minha esposa.

domingo, 5 de junho de 2016

Ai, que saudade!




Toda a vez que eu troco de HD eu coloco o conteúdo do antigo no novo. Com o tempo, coisas velhas vão ficando esquecidas nesta espécie de arquivo morto:





O bom é que ontem viajei no tempo, relembrando áudios antigos que preciso compartilhar.

Ai! Que saudade! Dá até vontade de fazer mais um.


Falas da Mariah bebê




quinta-feira, 2 de junho de 2016

Inverter ou convencional?


Um colega perguntou se vale a pena comprar um ar condicionado tipo "Inverter". Esta tecnologia controla a temperatura pela rotação do compressor, que fica sempre ligado, e não pelo modo convencional "liga e desliga".

Uma coisa que pouca gente de eletrônica sabe é que motores de indução não devem ser partidos a toda hora. Aquilo que fazem nas máquinas de lavar é um crime.

Quando você parte um motor de indução as barras internas do rotor se comportam como um curto-circuito. Com o tempo, o rotor vai pegando rotação e este curto vai "desaparecendo".

A figura acima mostra o modelo matemático de um motor de indução:

Quando o motor parte, o fator de escorregamento s é unitário porque ele está totalmente parado. Sendo assim, a limitação de corrente ocorre por meio de R2, a resistência do rotor, e X2, a indutância do rotor. O fator ((1-s)R2/s) é nulo.

Isto explica porque a corrente de partida ou de rotor travado é bastante elevada, a ponto de uma partida de um ar condicionado poder diminuir momentaneamente o brilho das lâmpadas, pois X2 e R2 são muito baixas.

Repare que se o rotor estiver na mesma rotação da rede, s = 0 e o fator ((1-s)R2/s) será infinito, isto é, não existirá corrente nas barras do rotor, mas também não haverá torque. Por isso que motores de indução sempre tem um pequeno escorregamento: um motor de 1800 rpm nominais roda a 1750 rpm, por exemplo.

Mas voltando ao problema de partir o motor com bastante periodicidade: a alta corrente de partida nas barras do rotor vai, com o tempo, danificando as barras, elevando a sua resistência R2. Com isso o torque cai e o motor vai ficando "fraco" com o tempo.

Isto demora, mais ocorre. Minha guerreira LE750 já está visivelmente fraca na centrifugação (sim, o capacitor de defasagem é novinho).

No caso dos modelos inverter, você troca um problema que ocorrerá com o tempo (a minha lavadora tem 15 anos de uso lavando roupa de gordo) com 100% de certeza por um problema que probabilisticamente tem grandes chances de ocorrer em 5 ou 6 anos: a queima do inversor.

sábado, 7 de maio de 2016

Quinto livro

Foi o pior até agora. O livro "Eat Stop Eat" é muito melhor: mais simples, mais objetivo e fornece a bibliografia para que possamos aprofundar nas investigações.

Se for para estudar sobre o jejum intermitente, não recomendo o Dieta das Oito Horas, de David Zincenko, leia o Eat Stop Eat ou o blog do Dr. Souto.


terça-feira, 3 de maio de 2016

O que você vai ser quando crescer?

Costumava dizer que Mariah não seria engenheira nem a pau. Ela seria médica, aqueles estranhos indivíduos que andam de jaleco branco e conseguem comer um Big Mac logo após uma necrópsia.

Hoje eu estou mais reflexivo. Será que a medicina será "a carreira" de 2035? Em primeiro lugar vamos às contas:

(a) 9 anos de ensino fundamental, mas ela está no terceiro ano, deve concluir em 2022;
(b) 3 anos de ensino médio, concluindo em 2025; 
(c) 6 anos de graduação em medicina com previsão de término em 2031; e finalmente
(d) 2 anos de residência em alguma coisa e papai soltando fogos em 2033 se aposentando gostoso sendo bancado pela filha.

Imagino que ela possa ser reprovada na primeira tentativa de entrar para a universidade ou que faça um intercâmbio na civilização, chegando em 2035. Está muito longe, mas dá para fazer algumas análises superficiais, como tudo o que eu escrevo por aqui.

O país está envelhecendo e, se não me engano, em 2035 já estará em processo de diminuição populacional. Isto significa que a demanda por serviços educacionais tende a diminuir. Conclusão: esqueça as profissões relacionadas com Educação: Licenciatura, Pedagogia e franquias de curso de inglês. Crescem os serviços focados na melhor idade: geriatras, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores de idosos, ações de fábrica de fraldas geriátricas e humoristas do "Zorra Total" ou "A Praça é Nossa".


quarta-feira, 27 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Atualização das metas de 2016

Livros não técnicos: além da obra sobre o Buffett já citada, li "Fora de Série - Outliers" e estou lendo "A riqueza e a pobreza das nações".



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Eletroímã

Mariah pediu para construirmos um eletroímã. As aulas de iniciação à robótica estão rendendo frutos.

Primeiro eu peguei os solenoides que eu tinha e mostrei o funcionamento. No dia seguinte, na hora de fazer o solenoide caseiro, decidimos fazer um vídeo para que qualquer um possa reproduzir a experiência.

https://www.youtube.com/watch?v=VcQ01-nR0rg

Não houve "ensaio", foi tudo gravado a medida que buscávamos soluções.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Resoluções 2016

Este ano Mariah completou oito anos. Estamos muito felizes e, confessamos, com um tiquinho de saudades da época que ela de colo. Passou.

Com relação aos estudos, ela iniciou o terceiro ano do fundamental. Como sou velho ainda chamo de "segunda série". Sim, sou velho. Estudei que o Brasil tinha vinte e três estados e quatro territórios, estudei a altura do pico da bandeira e estudei em tabelas periódicas com 103 elementos e toda a vez que a IUPAC reconhece um elemento novo me sinto vindo do paleolítico.


Com relação às minhas metas para este ano - e é bom que fique aqui registrado pois tenho o péssimo hábito de esquecer das promessas no raiar de março ou antes - decidi:

- Ler 12 livros que não sejam da minha área profissional;
- Perder 15 quilos;
- Terminar o livro que eu estou escrevendo; e
- Fazer um curso curto e sem compromisso.

Nada muito ambicioso. Talvez a maior ambição seja o onipresente desejo de perder peso, mas decidi levar a vida ainda mais tranquila. Faltam 11 livros visto que li em janeiro "Warren Buffet e a análise de balanços". No próximo post publicarei a lista dos 11 livros restantes e confesso que ainda não está concluída.



Para Mariah a dúvida era maior: curso de inglês ou espanhol? catequese? qual atividade física? Decidimos mantê-la no Jazz e matriculá-la na ginástica. Ela estava um pouco saturada da natação e decidimos suspender por um ou dois anos. O Jazz já faz na escola e a ginástica será a substituta da natação.

Depois que eu li "Sapiens - uma breve história da humanidade" entrei numa fase incrédula, de pouquíssima fé e deve soar incoerente colocar a Mariah no Catecismo, mas vai que Deus existe mesmo e ela vai pro inferno se eu não inseri-la na Igreja. Na dúvida é melhor fazer o curso. Daqui a dois anos os deuses da Internet lerão eu chorando dos preços absurdos dos vestidos brancos de primeira comunhão. Será certamente um momento delicado porque eu descobri que os deuses da Internet possuem asco a lamúrias e odeiam quem reclama.

Para o curso de línguas a conclusão foi surpreendente. Procuramos de espanhol e não encontramos turma para a idade da minha pequena. Eliminado o espanhol, sobrou o inglês. Pesquisando em cursos de renome concluímos que era um desperdício de dinheiro para pouco benefício pois, depois de quatro anos estudando na turma infantil, ela entraria no curso básico, como qualquer outro que nunca pisou no curso. Considerando quatro mil reais por ano, o curso de crianças custaria dezesseis mil reais. Com este dinheiro eu pago um intercâmbio numa cidade norte-americana no meio ou no final do ensino médio que na minha época era segundo grau. Sou velho e quase senil.





quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Alguém tem que pagar o Harry Potter

No livro "Walt Disney World with kids" edição de 2010 é apresentado os preços dos ingressos do parque da Universal Studios, em Orlando, FL:


Dois dias para os dois parques custava 95 dólares em 2010.

Ontem um amigo fez a cotação na home page do parque:


Ingresso foi reajustado para R$194,99.

O que mudou no parque neste intervalo? A área do Harry Potter!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015